Carolina Pimentel
Da Agência Brasil
Um antigo gargalo no setor de ciência e tecnologia que, segundo cientistas e pesquisadores, impede a interação entre as universidades e as empresas privadas na produção de novas tecnologias para o país, terá que ser resolvido pelo próximo presidente da República. Para Marco Antônio Raupp, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) – que congrega mais de dois mil pesquisadores, professores e estudantes – o próximo ocupante do Palácio do Planalto deve estimular a criação de institutos capazes de promover essa integração.
Segundo ele, as universidades federais e estaduais são as principais produtoras de pesquisa no país. Porém, poucos experimentos conseguem sair dos laboratórios e chegar ao setor privado para agregar valor a matérias-primas ou inovar os produtos e processos.
Raupp cita, como exemplo bem-sucedido dessa interação, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Segundo o presidente da entidade, a Embrapa consegue interagir com a academia e os agricultores, tornando-se um dos pilares para o agronegócio brasileiro ganhar competitividade no cenário mundial.
“Pode ser uma empresa ou um sistema de instituto voltado a intermediar as demandas do setor privado com o que é produzido nas universidades.”, disse o físico. De acordo com ele, um dos entraves é a atual legislação, que precisa ser alterada para propiciar tal prática.
O presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), Jacob Palis, defende mais incentivos fiscais para estimular a inovação dentro das fábricas. “É preciso facilitar a participação do pesquisador nos programas de desenvolvimento de pesquisas no setor privado”, afirmou o matemático.
Atualmente, as leis do Bem e da Inovação e outras medidas legislativas concedem benefícios fiscais para quem investe em inovação e desenvolvimento tecnológico, como isenção no Imposto de Renda e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
O vice-presidente da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), Guilherme Marco de Lima, defende os projetos de parcerias a longo prazo e reclama que os atuais mecanismos de financiamento para a inovação não acompanham o ritmo do processo da iniciativa privada. “As datas de muitos editais [com recursos para financiar desenvolvimento tecnológico], por exemplo, não coincidem com o período de formulação de projetos das empresas”, disse.
Outro desafio, segundo Lima, é que haja fomento para todas as fases de inovação de um produto, desde o estudo até chegar ao consumidor. A Anpei tem 166 associados, sendo empresas, entidades e pessoas físicas.
Atualmente, cerca de 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) – a soma de todas as riquezas produzidas no Brasil – vão para a produção científica e tecnológica, segundo dados do Ministério da Ciência e Tecnologia. Em outros países, como Japão, esse percentual é superior a 2%. O Brasil responde por 2,7% da produção científica mundial, ocupando a 13ª posição no ranking internacional.
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