VINICIUS BOREKI
GAZETA DO POVO
14/04/2009
O chorume gerado pelo Aterro da Caximba é outro motivo de conflito entre a prefeitura de Curitiba e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP). Desde que o aterro entrou em operação, há 20 anos, o líquido vaza para as cavas do Iguaçu e, em seguida, para o rio. O chorume é resultado do apodrecimento do material orgânico e pode transportar elementos da decomposição de outros resíduos, incluindo os tóxicos. Por mês, conforme a prefeitura, 20 milhões de litros caem no Rio Iguaçu – 240 milhões em um ano.
O secretário de Meio Ambiente de Curitiba, José Antônio Andreguetto, afirma que o chorume não é responsável pelos altos índices de poluição do Rio. “Colhemos amostras analisadas por laboratórios da UFPR de tempos em tempos. Ele não contribui para a piora da qualidade do Rio Iguaçu”, diz. Algumas análises da prefeitura indicam que, depois de receber o chorume, o rio fica, paradoxalmente, “menos poluído”. No entanto, por melhor que seja o tratamento, o chorume
Conforme a Resolução nº 357 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), efluentes podem ser despejados no curso dos rios desde que estejam dentro das condições estabelecidas. Os rios apresentam capacidade de depuração de elementos como o chorume e esgoto em função da vazão e quantidade de água. Um dos padrões de qualidade exigidos para o despejo é que a Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO) – consumo de oxigênio por meio de reações biológicas e químicas – não ultrapasse 150 miligramas por litro (limite estabelecido pelo IAP).
Conforme a prefeitura, em muitos momentos, o chorume sai das estações de tratamento com índice superior ao estipulado, mas o trabalho de mistura realizado pelas cavas faz com que o líquido esteja dentro das exigências quando entra em contato com o rio. Laudos do IAP indicam que, em seis avaliações em 2008, a DBO esteve sempre acima do permitido. Mas a prefeitura confirma apenas que a Demanda Química de Oxigênio (DQO), que mede a quantidade de matéria orgânica que pode ser oxidada, está acima dos limites. “Poderíamos baixar a DQO com cloro, por exemplo, mas aumentaríamos a toxicidade”, explica Marilza Oliveira Dias, coordenadora de Resíduos Sólidos da Secretaria de Meio Ambiente.
Odor e cor
À medida que o chorume se mistura com as cavas do Rio Iguaçu, a coloração da água se torna cada vez mais escura e o cheiro mais forte, chegando a causar náuseas. Esse líquido de cor preta e extremamente malcheiroso atinge o rio por meio de um córrego. “Estamos concluindo um projeto de aproveitamento para melhorar também a coloração do líquido. Nosso tratamento não está 100%, mas buscamos eficiência maior”, diz Andreguetto.
“Não se pode avaliar o chorume só por sua cor. O Rio Negro é escuro e nem por isso é contaminado”, argumenta Marilza. “Toda coloração é resultado da sedimentação de algum material. No caso do chorume, a coloração decorre somente do lixo”, contestar Lídia Lucaski, presidente da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Amar). Já o odor forte se deve à presença de gás sulfídrico. Em 2001, a Amar entrou com uma ação na Justiça Federal para tentar impedir que o efluente seja despejado no Rio Iguaçu, mas o processo está em andamento até hoje.
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