Elaine Patricia Cruz
Agência Brasil
A inauguração do primeiro centro de microcirurgia reconstrutiva e de cirurgia de mão do país este mês, na capital paulista, não é suficiente para atender a demanda da população por esse tipo de cirurgia, disse o médico ortopedista e professor da Universidade de São Paulo (USP) Rames Mattar Junior.
“Deveria existir um centro – como este que formamos agora para atender pacientes vítimas de traumas graves na mão – a cada 2 milhões de habitantes. Em São Paulo, por exemplo, deveriam haver dez centros estrategicamente distribuídos para atender a demanda e nós estamos formando o primeiro”, lamentou o médico, em entrevista à Agência Brasil.
O centro já vem funcionando no Hospital das Clínicas há pouco mais de dois meses. Segundo o médico, ainda não foi feito um balanço no número de atendimentos, mas estimou que este mês tenham sido feitas cerca de 40 cirurgias de alta complexidade, com duração entre seis e dez horas cada uma.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, com a inauguração do centro, a equipe de seis médicos do grupo de mão do Hospital das Clínicas (HC) ganhou um reforço de mais 25 profissionais especializados e uma sala inteiramente equipada para atender casos de reimplante, amputações, fraturas expostas graves associadas à perda do revestimento cutâneo e lesões de nervos periféricos.
“A pessoa sofre uma amputação no Brasil e não sabe nem para onde ir porque esses centros não estão estabelecidos. Queremos demonstrar para a sociedade e para os gestores de saúde da absoluta necessidade de criar centros como esse do HC para atender os pacientes. E isso vai trazer um impacto econômico positivo, inclusive ao país, porque devolve ao paciente uma vida normal”, disse o médico Rames Mattar Junior.
De acordo com ele, São Paulo vive hoje uma “epidemia grave de traumas complexos”, devido ao aumento na quantidade de acidentes de trânsito e no trabalho, principalmente por causa da economia informal. “A quantidade de acidentes com motocicletas na cidade de São Paulo e com fraturas expostas é uma epidemia. E temos uma população da Argentina no Brasil trabalhando na economia informal. E são máquinas de fundo de quintal que provocam lesões graves. Há um caos social em termo de trauma e algo precisa ser feito, não apenas na prevenção, mas tem que se preparar hospitais públicos para atender as pessoas que são menos favorecidas”, disse.
Matérias relacionadas:
5 de fevereiro de 2011
10 de janeiro de 2011
6 de janeiro de 2011
4 de janeiro de 2011
30 de dezembro de 2010
29 de dezembro de 2010
22 de dezembro de 2010
21 de dezembro de 2010
20 de dezembro de 2010
17 de dezembro de 2010
16 de dezembro de 2010
15 de dezembro de 2010
10 de dezembro de 2010
8 de dezembro de 2010
1 de dezembro de 2010
30 de novembro de 2010
29 de novembro de 2010
27 de novembro de 2010
26 de novembro de 2010
25 de novembro de 2010
24 de novembro de 2010
23 de novembro de 2010
18 de novembro de 2010
15 de novembro de 2010
12 de novembro de 2010
11 de novembro de 2010
8 de novembro de 2010
5 de novembro de 2010
29 de outubro de 2010
28 de outubro de 2010