VISÃO NORDESTINA

JOSÉ LUIZ MALTA ARGOLO
jlargolo@yahoo.com.br

15 de agosto de 2010 10:05 

Brasil escorrega no caso Sakineh

A diplomacia brasileira pisou na bola, mais uma vez, quando após várias notícias veiculadas nos meios de comunicação, dando conta do oferecimento oficial de asilo à iraniana Sakineh Mohammadi Ashitiani (42), surge a informação de que não chegara formalmente ao Irã nenhum documento do Brasil, atinente a esse caso.

O desmentido iraniano deixou a todos perplexos, porquanto partira do próprio presidente Lula a informação de sua vontade em solicitar clemência ao seu “aliado” persa, em favor daquela desditada mulher, que a essa altura pode até já ter “passado desta vida para uma melhor”. Enquanto isso, o chanceler Celso Amorim ficou pisando em ovos.

O fato nos oferece a oportunidade de uma profunda reflexão. O que está se passando com a diplomacia brasileira, nos últimos anos? Por que a utilização de sofismas?…

Recentemente tivemos o imbróglio envolvendo o patrocínio do Brasil para um acordo do Irã com vistas ao enriquecimento de urânio para fins pacífico, em que a nossa diplomacia, por razões obscuras, omitiu algumas cláusulas do documento, somente mais tarde denunciadas através dos Estados Unidos. Agora vem esse caso, Sakineh. Daí, não será demais conjecturar: existirão outros silogismos da diplomacia brasileira? Será que o Brasil está copiando a postura dos países comunistas, onde se acredita que a mentira repetida muitas vezes pode transformar-se em verdade?

De volta ao caso Sakineh, ficamos apreensivos por saber que o nosso Governo aceita de bom grado apoiar países cujos ditadores não respeitam os direitos humanos, como o Irã, a Coréia do Norte, Cuba e Venezuela. Países onde a democracia é tratada a ponta-pé. Tomemos alguns exemplos: Cuba tem um ditador há 50 anos; a Venezuela elegeu Chavez faz mais de uma década; na Coréia do Norte o seu ditadorzinho está no poder há tanto tempo que se perdeu a conta; e, o Irã possui um presidente de direito, mas quem manda mesmo são os aitolás. Naquele país, ainda se faz “justiça” com apedrejamento e até advogados abandonam as causas fugindo para não serem massacrados, junto com os seus clientes, como o iraniano Mohammad Mostafei (defensor de Sakineh) que escapou para a Noruega.

Não sei até onde o Brasil quer ir com essas amizades que só causam preocupação. De uma hora para outra podemos deparar-nos com onda terrorista invadindo nosso território ou mesmo passarmos a figurar entre os países que acobertam guerrilheiros, porque as nossas companhias não são boas e segundo o ditado popular: “Dize-me com quem andas que te direi quem és!”

Nesse momento estamos em pleno processo eleitoral a fim de eleger o (a) futuro (a) Presidente da República, do (a) qual esperamos a adoção de uma política internacional compatível com o status de grande nação que somos.

Agora, convenhamos: Com todo respeito às leis iranianas, dá para confiar bomba atômica a um país que ainda mata as pessoas por apedrejamento?

Deus nos livre!



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