DANILO MACEDO
AGÊNCIA BRASIL
O Brasil deve fechar este ano com o beneficiamento de 39,47 milhões de sacas de 60 quilos de café. O resultado, apresentado nesta quarta-feira (16) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), na quarta e última estimativa da safra 2009 do produto, é o melhor dos últimos dez anos em biênios de baixa, superando em 9,4% o de 2007. O café é uma cultura bianual e tem alternância entre um ano de alta e outro de baixa produtividade.
Em 2008 foram beneficiadas 45,99 milhões de toneladas de café, enquanto em 2007, esse número não passou de 36,07 milhões de toneladas. Embora alguns analistas e segmentos do setor já estimem uma produção de até 55 milhões de sacas para 2010, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse que fazer uma previsão dessas é irresponsabilidade.
“Não quero chutar, mas com certeza ficará longe desse número. A chuva não é ruim, mas o problema é que houve várias floradas e terá amadurecimento em momentos diferentes”, afirmou Stephanes, explicando que o excesso de chuva em algumas épocas deve frustrar as previsões mais otimistas.
Na safra atual, segundo a Conab, o excesso de chuva dos últimos meses coincidiu com as fases de maturação e colheita do grão e comprometeu os processos de colheita e secagem, resultando em um maior volume de café com qualidade inferior.
Em relação ao preço do café, entretanto, o ministro acredita que o governo não precisará comprar os 10 milhões de sacas previstas, para formação de estoques públicos, caso o valor do produto não reagisse. Ele afirmou que os recursos para isso estão reservados, mas alguns fatores, além da intervenção governamental, estão influenciando o aumento do preço.
Alguns grandes produtores, como a Colômbia e a Índia, devem reduzir sua produção em até 40%, levando a um aumento das exportações brasileiras, que devem chegar a 31 milhões de sacas neste ano. Isso leva a crer, segundo Stephanes, que os estoques mundiais vão se reduzir nos próximos anos, elevando o preço do café.
“Partimos do raciocínio de que daqui a três ou quatro anos haverá uma produção muito mais apertada em relação à demanda e, para daqui a cinco anos a previsão é de que vamos ter um ligeiro desequilíbrio, de mais demanda do que oferta, e isso nos sinaliza, pelo menos a médio e longo prazo a melhoria de preço”, afirmou.
Dos 39,47 milhões de sacas colhidas em 2009, 73,1% são de café arábica e 26,9% de café conilon. Os cafezais ocuparam uma área de 2,17 milhões de hectares, 76,89 mil hectares a menos que em 2008.
O maior estado produtor é Minas Gerais, com 1 milhão de hectares plantados, dos quais 98,6% com café arábica. Em segundo lugar vem o Espírito Santo, com 479,8 mil hectares. A pesquisa de campo foi realizada entre os dias 23 de novembro e 4 de dezembro por 189 técnicos da estatal e de órgãos conveniados.
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