14 de março de 2011 11:54 

Beija-flor

 Trochiliformes é uma ordem de aves que inclui apenas a família Trochilidae e respectivos 108 gêneros, onde se classificam as 322 espécies conhecidas de beija-flor, colibri ou cuitelo . No Brasil, alguns gêneros recebem outros nomes, como os rabos-brancos do gênero Phaethornis, ou os bicos-retos, do gênero Heliomaster. No antigo sistema classificativo, a família Trochilidae integrava a ordem Apodiformes, juntamente com os andorinhões. Entre as características distintivas do grupo contam-se o bico alongado, a alimentação à base de néctar, 8 pares de costelas, 14 a 15 vértebras cervicais, plumagem iridescente e uma língua extensível e bifurcada.

O grupo é originário das Américas e ocorre desde o Alasca a Norte à Terra do Fogo, no extremo Sul do continente, numa grande variedade de habitats. A maioria das espécies é tropical a subtropical e vive entre as latitudes 10ºN e 25ºS. A maior biodiversidade do grupo encontra-se no Brasil e Equador que contam cerca de metade das espécies conhecidas de beija-flor. Os troquilídeos estão ausentes do Velho Mundo, onde o seu nicho ecológico é preenchido pela família Nectariniidae (Passeriformes).

 

Características físicas

Os beija-flores são aves de pequeno porte, que medem em média 6 a 12 cm de comprimento e pesam 2 a 6 gramas. O bico é normalmente longo, mas o formato preciso varia bastante com a espécie e está adaptado ao formato da flor que constitui a base da alimentação de cada tipo de beija-flor. Uma característica comum é a língua bifurcada e extensível, usada para extrair o néctar das flores.

O esqueleto e constituição muscular dos beija-flores estão adaptados de forma a permitir um vôo rápido e extremamente ágil. São as únicas aves capazes de voar em marcha-ré e de permanecer imóveis no ar. O batimento das asas é muito rápido e as espécies menores podem bater as asas 70 a 80 vezes por segundo. Em contraste, as patas dos beija-flores são pequenas demais para a ave caminhar sobre o solo. As fêmeas são em geral maiores que os machos, mas apresentam coloração menos intensa.Vivem em média 12 anos e seu tempo de incubação é de 13 a 15 dias.

 

Reprodução e comportamento

Tal como a maioria das aves, o sentido do olfato não está muito desenvolvido nos beija-flores; a visão, no entanto, é muito apurada. Para além de poderem identificar cores, os beija-flores são dos poucos vertebrados capazes de detectar cores no espectro ultravioleta.

A alimentação dos beija-flores é baseada em néctar (cerca de 90%) e artrópodes, em particular moscas, aranhas e formigas. Os beija-flores são poligâmicos.

Aproveitando a grande necessidade que os beija-flores têm de um alimento energético de rápida utilização, como o néctar, que contém carbohidratos em concentração variável em torno de 15 a 25%, é possível atraí-los para fontes artificiais de soluções açucaradas, os chamados "bebedouros" para beija-flores. Trata-se de recipientes com corolas artificiais onde é colocada uma solução açucarada cuja concentração recomendada é de 20%. Uma crença, que tudo indica foi iniciada a partir de uma publicação de autoria do naturalista Augusto Ruschi, diz que o uso desses bebedouros pode ocasionar doenças nessas aves, podendo até matá-las. Porém não há, na literatura ornitológica, nenhum trabalho científico comprovando isto. Essa crença tornou-se extremamente difundida na população.A doença à qual Ruschi se referiu seria a candidíase, infecção oportunista causada pelo fungo Candida albicans, que acometeria a boca dos beija-flores. É possível que esse autor tenha de fato observado essa doença em seus beija-flores, mantidos em viveiros, pelo fato de se encontrarem imuno-deprimidos pelas próprias condições do cativeiro. De qualquer forma, é aconselhável que todos que forem se utilizar desse artifício para atração de beija-flores para seus jardins, sacadas, etc, que procedam à limpeza diária dos bebedouros e troca da solução açucarada preparada sempre com açúcar comum, evitando utilizar mel, açúcar mascavo e outros preparados, com maior facilidade de fermentação.

 

Conservação

Duas espécies de beija-flor extinguiram-se no passado recente: esmeralda-de-Brace (Chlorostilbon bracei) e esmeralda-de-Gould (Chlorostilbon elegans). Das 322 espécies conhecidas, a IUCN lista 9 como em perigo crítico de extinção, 11 como em perigo e outras 9 como vulneráveis. As maiores ameaças à preservação do grupo são a destruição, degradação e fragmentação de habitats.

 

Referências culturais

Os beija-flores estão representados:

* No brasão de armas e na moeda de 1 cêntimo de Trinidade e Tobago.

* Nas linhas de Nazca.

* Na cédula de R$ 1,00.

* No símbolo da Prefeitura Municipal de Betim, Minas Gerais.

* Na música Cuitelinho, do folclore popular de Minas Gerais.

* Na música brasileira Ai que Saudade D'ocê.

 

Classificação

* Família Trochilidae Vigors, 1825

o Subfamília Phaethornithidae Jardine, 1833

+ Gênero Ramphodon Lesson, 1830

+ Gênero Eutoxeres Reichenbach, 1849

+ Gênero Glaucis Boie, 1831

+ Gênero Threnetes Gould, 1852

+ Gênero Anopetia Simon, 1918

+ Gênero Phaethornis Swainson, 1827

o Subfamília Trochilinae Vigors, 1825

+ Gênero Androdon Gould, 1863

+ Gênero Doryfera Gould, 1847

+ Gênero Phaeochroa Gould, 1861

+ Gênero Campylopterus Swainson, 1827

+ Gênero Aphantochroa Gould, 1853

+ Gênero Eupetomena Gould, 1853

+ Gênero Florisuga Bonaparte, 1850

+ Gênero Melanotrochilus Deslongchamps, 1879

+ Gênero Colibri Spix, 1824

+ Gênero Anthracothorax Boie, 1831

+ Gênero Topaza G. R. Gray, 1840

+ Gênero Eulampis Boie, 1831

+ Gênero Chrysolampis Boie, 1831

+ Gênero Orthorhyncus Lacépède, 1799

+ Gênero Klais Reichenbach, 1854

+ Gênero Stephanoxis Simon, 1897

+ Gênero Abeillia Bonaparte, 1850

+ Gênero Lophornis Lesson, 1829

+ Gênero Discosura Bonaparte, 1850

+ Gênero Trochilus Linnaeus, 1758

+ Gênero Chlorostilbon Gould, 1853

+ Gênero Panterpe Cabanis e Heine, 1860

+ Gênero Elvira Mulsant, J. Verreaux e E. Verreaux, 1866

+ Gênero Eupherusa Gould, 1857

+ Gênero Goethalsia Nelson, 1912

+ Gênero Goldmania Nelson, 1911

+ Gênero Cynanthus Swainson, 1827

+ Gênero Cyanophaia Reichenbach, 1854

+ Gênero Thalurania Gould, 1848

+ Gênero Damophila Reichenbach, 1854

+ Gênero Lepidopyga Reichenbach, 1855

+ Gênero Hylocharis Boie, 1831

+ Gênero Chrysuronia Bonaparte, 1850

+ Gênero Leucochloris Reichenbach, 1854

+ Gênero Polytmus Brisson, 1760

+ Gênero Leucippus Bonaparte, 1850

+ Gênero Taphrospilus Simon, 1910

+ Gênero Amazilia Lesson, 1843

+ Gênero Microchera Gould, 1858

+ Gênero Anthocephala Cabanis e Heine, 1860

+ Gênero Chalybura Reichenbach, 1854

+ Gênero Lampornis Swainson, 1827

+ Gênero Basilinna Boie, 1831

+ Gênero Lamprolaima Reichenbach, 1854

+ Gênero Adelomyia Bonaparte, 1854

+ Gênero Phlogophilus Gould, 1860

+ Gênero Clytolaema Gould, 1853

+ Gênero Heliodoxa Gould, 1850

+ Gênero Eugenes Gould, 1856

+ Gênero Hylonympha Gould, 1873

+ Gênero Sternoclyta Gould, 1858

+ Gênero Urochroa Gould, 1856

+ Gênero Boissonneaua Reichenbach, 1854

+ Gênero Aglaeactis Gould, 1848

+ Gênero Oreotrochilus Gould, 1847

+ Gênero Lafresnaya Bonaparte, 1850

+ Gênero Coeligena Lesson, 1833

+ Gênero Ensifera Lesson, 1843

+ Gênero Pterophanes Gould, 1849

+ Gênero Patagona G. R. Gray, 1840

+ Gênero Sephanoides G. R. Gray, 1840

+ Gênero Heliangelus Gould, 1848

+ Gênero Eriocnemis Reichenbach, 1849

+ Gênero Haplophaedia Simon, 1918

+ Gênero Urosticte Gould, 1853

+ Gênero Ocreatus Gould, 1846

+ Gênero Lesbia Lesson, 1833

+ Gênero Sappho Reichenbach, 1849

+ Gênero Polyonymus Heine, 1863

+ Gênero Ramphomicron Bonaparte, 1850

+ Gênero Oreonympha Gould, 1869

+ Gênero Oxypogon Gould, 1848

+ Gênero Metallura Gould, 1847

+ Gênero Chalcostigma Reichenbach, 1854

+ Gênero Opisthoprora Cabanis e Heine, 1860

+ Gênero Taphrolesbia Simon, 1918

+ Gênero Aglaiocercus Zimmer, 1930

+ Gênero Augastes Gould, 1849

+ Gênero Schistes Gould, 1851

+ Gênero Heliothryx Boie, 1831

+ Gênero Heliactin Boie, 1831

+ Gênero Loddigesia Bonaparte, 1850

+ Gênero Heliomaster Bonaparte, 1850

+ Gênero Rhodopis Reichenbach, 1854

+ Gênero Thaumastura Bonaparte, 1850

+ Gênero Tilmatura Reichenbach, 1854

+ Gênero Doricha Reichenbach, 1854

+ Gênero Calliphlox Boie, 1831

+ Gênero Microstilbon Todd, 1913

+ Gênero Calothorax G. R. Gray, 1840

+ Gênero Mellisuga Brisson, 1760

+ Gênero Archilochus Reichenbach, 1854

+ Gênero Calypte Gould, 1856

+ Gênero Atthis Reichenbach, 1854

+ Gênero Myrtis Reichenbach, 1854

+ Gênero Eulidia Mulsant, 1876

+ Gênero Myrmia Mulsant, 1876

+ Gênero Chaetocercus G. R. Gray, 1855

+ Gênero Selasphorus Swainson, 1832

+ Gênero Stellula Gould, 1861

Fonte: Wikipédia.



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