DA ASSESSORIA DE IMPRENSA DA CONFERÊNCIA
A região da grande Lyon, na França, obteve redução expressiva no uso de carros, nos últimos cinco anos, com a implantação de um sistema de aluguel de bicicleta, o Vélo’v. Além de uma face mais humana e menos stress no ar, bastaria uma palavra para justificar o investimento: economia. As quatro mil bicicletas existentes rodaram 60 milhões de quilômetros até hoje, o que significa dizer que duas mil toneladas de dióxido de carbono deixaram de ser emitidas naquela área.
O case de Lyon foi apresentado no segundo dia da Conferência Internacional de Cidades Inovadoras – CICI2010, pelo vice-prefeito, Jean Michel Daclin, no painel “Experiências notáveis de inovações em planejamento urbano, gestão de políticas e programas inovadores”.
Jean Michel Daclin fala das inovações da cidade francesa durante a CICI2010 (Foto: Divulgação FIEPR)
Daclin contou que o nome do sistema reflete sua filosofia: a mistura das palavras Vélo (bicicleta, em francês) e love (amor, em inglês). Ideal para percursos rápidos, 95% do uso do sistema é gratuito para os usuários, já que a primeira meia hora não é cobrada. O resultado é uma atmosfera mais agradável, com alto grau de convívio entre as pessoas e o óbvio benefício à saúde da população – pelo exercício físico e pela atmosfera mais limpa.
O baixo custo do sistema se deve à parceria entre a iniciativa privada e o poder público, explicou Daclin. A empresa JCDecaux implantou e mantém o sistema em troca de um contrato exclusivo de publicidade que inclui 800 out-doors e todos os ônibus da cidade.
Lyon tem pouco mais de 400 mil habitantes, 70 mil a menos que o crescimento populacional de Londres projetado para 2016, ano em que irá sediar as Olimpíadas. Londres terá então 8,1 milhões de habitantes. Como a cidade está se preparando para este grande evento esportivo foi a abordagem do diretor da Agência de Desenvolvimento da capital inglesa, Peter Bishop, no painel. O importante, apontou, é planejar os investimentos para que sejam úteis depois.
As Olimpíadas, segundo Bishop, serão usadas como catalisadoras para que Londres obtenha a revitalização de áreas pobres, como está sendo feito neste momento com a região de East London, que vai sediar os jogos.
Algumas das instalações serão usadas sem modificações, para esportes. Bishop citou especialmente o Estádio Olímpico, de 80 mil lugares. Após as Olimpíadas, o espaço será adequado para uso local, sendo reduzido para 55 mil lugares. Os investimentos públicos destinados à infraestrutura das Olimpíadas são da ordem de 5,3 bilhões de libras esterlinas. Mas a cidade tem muito a ganhar com isso. Bishop informou que 1,7 bilhão de libras estão sendo destinadas à recuperação e reforma urbana de uma das áreas do East London, o Lower Lea Valley.
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