
Você sabia que existe uma Convenção para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Cedaw, na sigla em inglês) e que ela completou 30 anos?
Que existem seis datas comemorativas da mulher: 8 de março, Dia Internacional da Mulher; 30 de abril, Dia Nacional da Mulher; 28 de maio, Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher; 26 de agosto, Dia da Igualdade da Mulher; 3 de novembro, Instituição do Direito de Voto para a Mulher; e 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher?
Que a mulher é menos corrupta que o homem à frente de governos, entidades e instituições?
Que a mãe é imprescindível na educação de um filho e eleva muito as possibilidades de aprendizado dele quando o acompanha na vida escolar?
Recentemente um famoso ator de novelas se saiu com esta pérola ao ser informado pelo autor do folhetim a respeito do papel que ia interpretar: “E desta vez eu como quem?”
No final do ano passado, a filha de uma amiga conseguiu, após três anos tentando, entrar numa faculdade de medicina. Dos vários irmãos, ela é a caçula e única a querer continuar o que o pai já vem fazendo há anos.
Meses depois, estive na casa dela para um jantar de aniversário e, sem querer, vi uma cartilha de uns 15x21cm, com papel de impressora a jato de tinta e espiral. Não reconheci nada pela capa e abri. Na primeira página vi o que me foi explicado depois como sendo letra do hino da faculdade que a filha devia decorar para ser executado por fanfarra e com todos os alunos cantando. Não dá para escrever aqui os palavrões e descrições de atos sexuais com palavras chulas contidos ali.
A tia da caloura me contou depois que a garota ficou envergonhada ao perceber que eu havia visto a apostila.
Nasci numa família de muitas tias e primas. Tenho duas irmãs e sou o único filho homem. Após estudar seis anos no Seminário Menor Diocesano de São Carlos, interior de São Paulo, entre final dos anos 50 e início dos 60, fiz o último ano do então clássico no Instituto Barão do Rio Branco, de Catanduva, também interior de São Paulo. Era o único homem numa classe com nove mulheres.
Sempre trabalhei com comunicação, um universo com predominância feminina. Fui inclusive diretor de uma empresa, na qual era o único homem. Tenho duas filhas, duas netas e um neto. Até hoje me entendo, de maneira geral, melhor com mulheres do que com homens. Não me lembro de amigo com cuja mulher eu não me sinta tão à vontade quanto com ele.
Provavelmente, isso tudo me ajudou a respeitar muito as mulheres e a não suportar machismos e maus tratos para com elas. No entanto, acho que as mulheres têm um pouco de culpa nisso.
Nunca me esqueço do filme “Saison des hommes” (estação dos homens), que vi numa das primeiras mostras internacionais de cinema em São Paulo.
O filme era de um desses hoje renomados diretores iranianos ou de algum país adjacente. Contava a história de homens que viviam 11 meses por ano vendendo tapetes num lugar bem distante da terra natal. A “saison” era justamente o mês que eles passavam com a família.
O interessante era ver as mães deles subjugando as noras e se valendo de sua posição de sogra para compensar o que haviam sofrido na mesma situação anteriormente. Era um machismo às avessas, que, apesar de ser mostrado num filme, reflete até hoje uma realidade.
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Com Lucila Cano.
Engel Paschoal (engelpaschoal@uol.com.br) é jornalista e dá cursos e palestras sobre responsabilidade social.
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