Renata Giraldi
Agência Brasil
A Anistia Internacional apelou hoje (8) para que o governo do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, anule a sentença de morte por apedrejamento imputada à viúva Sakineh Mohammadi Ashtiani, de 43 anos. Para a organização não governamental (ONG), a revisão da pena não é suficiente. A organização teme que a suspensão da punição acoberte novas sentenças.
“Esta notícia está longe de ser suficiente”, afirmou o diretor-adjunto do Oriente Médio e Norte da África do Programa da Anistia Internacional, Hassiba Hadj Sahraoui. “As autoridades iranianas devem tomar as medidas necessárias para garantir que sua pena de morte deve ser anulada de uma vez por todas”.
“Esperamos que este não seja apenas uma medida cínica por parte das autoridades para desviar as críticas internacionais”, afirmou Sahraoni, “Pois esta decisão pode ser modificada a qualquer momento, deixando Sakineh Mohammadi Ashtiani sob risco de execução, especialmente se a atual revisão judicial dos resultados de seu caso levar à confirmação da sentença [de morte por apedrejamento]”.
A sentença de morte imposta à Sakineh motivou críticas em vários países. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ofereceu para que o Irã enviasse a viúva para viver em território brasileiro. Mas a oferta de Lula foi recusada pelo governo Ahmadinejad.
A Justiça do Irã acusa a viúva, mãe de dois filhos, de envolvimento no assassinato do marido e de manter relações sexuais com dois homens. A acusação é rebatida por Sakineh e os parentes dela. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Ramin Mehmanparast, disse hoje que a sentença foi temporariamente suspensa para efeitos de revisão.
Sahraoui afirmou que há riscos das autoridades iranianas prepararem novas acusações contra a viúva. No começo desta semana, um dos filhos de Sakineh afirmou que ela foi sentenciada a receber 99 chibatadas – acrescidas à pena de morte – por ter um fotografia publicada, em um jornal inglês, na qual aparece sem o véu muçulmano. “Em agosto de 2010, Sakineh Mohammadi Ashtiani foi forçada a confessar, sob coação na televisão, ter cometido adultério e envolvimento na morte do marido”, disse Sahraoui.
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