DE PIRACICABA

IVANA MARIA FRANÇA DE NEGRI
ivanamfn@yahoo.com.br

16 de novembro de 2009 13:19 

Abatedouro de cães

Uma notícia que circulou nestes dias pela internet, e espalhou-se como pólvora em todos os meios de comunicação, chocou a opinião pública.

Ongs de proteção aos animais indignaram-se e levantaram suas vozes em altos brados. Advogados agilizam para que os culpados sejam exemplarmente penalizados.

Em Suzano, região metropolitana de São Paulo, um casal mantinha um abatedouro clandestino de cachorros. Os animais eram recolhidos das ruas e mantidos confinados para engorda e depois eram mortos, e sua carne era vendida para restaurantes da comunidade oriental. Segundo o delegado que investiga o caso, o preço de cada animal oscilava entre R$180 e R$220. Com o casal denunciado, as provas contundentes: freezer lotado de carnes, ganchos e instrumentos de corte. Havia dois gatos inteiros e 70 quilos de carnes de cachorro congeladas.

O casal e os proprietários dos restaurantes vão responder por crime contra a fauna, contra o meio ambiente e por formação de quadrilha. Os restaurantes deverão ser fechados pela Vigilância Sanitária.

A foto de um cachorro vivo amarrado, e que seria o abatido, revoltou as pessoas. Só que essas mesmas pessoas, tão indignadas, continuam com seus hábitos primitivos e no final de semana farão seu churrasquinho sanguinolento de carne, sem que sua consciência as acuse…

As instituições de caridade continuarão a promover “porcos e bois no rolete” para angariar fundos. Para comemorar o Dia de São Francisco de Assis, protetor dos animais, igrejas promoverão churrascos e galinhadas.

E eu fico a pensar como as pessoas são incoerentes… Em alguns lugares da China o povo consome regularmente carne de cães. Isso horroriza as pessoas do ocidente. E na Índia, sendo os bois sagrados, seus habitantes devem horrorizar-se com o hábito de outros países de consumir a carne bovina. O fato de a igreja considerar pecado comer carne vermelha na sexta-feira santa é outra coisa que não consigo compreender. É pecado comer carne vermelha, mas carne de peixe pode. Peixe não é carne? Bacalhau não é carne? Para mim é um ato bárbaro comer qualquer tipo de carne em qualquer dia do ano.

Chegará um tempo em todos vão compreender que nossos corpos não são cemitério para enterrar neles os cadáveres dos animais para apodrecer. A lei da causa e efeito é implacável, e surgem cada vez mais casos de cânceres e outras doenças pelo consumo exagerado de carne.

Os animais não são meros objetos para nos utilizarmos deles a nosso bel prazer, e sim seres em evolução, que compartilham com os humanos a vida neste planeta..

As leis também são injustas. A mesma lei que penaliza quem maltrata um cão ou um gato, não serve para os animais de consumo, que podem ser maltratados à vontade, desde que o objetivo final seja a alimentação humana. Um absurdo!

Como sou vegetariana há 25 anos, não vejo diferença entre consumir carne de cachorro, de gato, de carneiro, de coelho, de aves ou de peixes. Todos são animais igualmente sensíveis à dor e merecem respeito.

Jamais vou compreender porque as pessoas ficam perplexas com o abate de um cão e não dão a mínima para o abate de uma vaca ou de uma galinha. Qual a diferença?

Ivana Maria França de Negri é escritora, colunista fixa de vários jornais e integrante, há 10 anos, da SPPA – Sociedade Piracicabana de Proteção aos Animais.



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