RESPONSABILIDADE SOCIAL E ÉTICA

LUCILA CANO*
lcano@terra.com.br

30 de julho de 2010 0:05 

A saúde nas mãos de todos nós

A Organização Mundial da Saúde recomenda o aleitamento exclusivo até os seis meses de vida (180 dias) do bebê e o aleitamento parcial até os dois anos (730 dias). Em meados de 2009, a média de aleitamento materno exclusivo no Brasil era de 54,1 dias, de acordo com a 2ª. Pesquisa de Prevalência do Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras, realizada pelo Ministério da Saúde. O leite materno é o principal elemento imunológico dos bebês, além de fundamental para o desenvolvimento das crianças.

Á água é um bem essencial para a saúde. Uma torneira pingando desperdiça 46 litros de água por dia, 1.380 por mês ou 16.560 por ano, o suficiente para abastecer, por um ano, 1,8 milhão de pessoas. Quase 40% da água consumida no Brasil são desperdiçados devido a vazamentos, equipamentos velhos e uso inadequado. Por um cano com orifício do diâmetro de um alfinete (cerca de 1,5 mm) vazam 2,8 mil litros de água por dia, o que supriria as necessidades de 11 pessoas num dia.

Água e higiene correm juntas. No Brasil, os serviços de coleta de esgoto sanitário beneficiam apenas 50% das moradias e a maioria dos efluentes são despejados nos rios, sem tratamento adequado (ONG Água e Cidade).

Ação e reação

A reciclagem aparentemente não tem nada a ver com a saúde. Mas, quando se trata de material produzido com metais pesados, como pilhas e baterias, a correta destinação desses itens para a reciclagem pode nos livrar da contaminação e de doenças graves (muitas vezes incuráveis).

Embora tenha um sorriso franco, o brasileiro não cuida da saúde bucal. O Projeto SBBrasil 2010 do Ministério da Saúde realiza uma pesquisa nacional da saúde bucal (a última data de 2003) que deverá ser concluída em breve. Enquanto isso, é bom lembrar que os dois extremos das famílias – os muito jovens e os mais idosos – deveriam ser orientados para reduzir o consumo de doces e adotar hábitos mais rigorosos de higiene.

Por falar em higiene, a despeito da divulgação recente de que o brasileiro é quem mais toma banho no mundo, água e sabão são as estrelas da campanha do Ministério da Saúde contra a gripe A – H1N1. Deveriam ser adotados não só contra a gripe, mas contra uma série de males que acabamos pegando pelas mãos.

Na alimentação temos a fonte para o bem e para o mal. A balança do que consumimos deveria ser equilibrada, poupando-nos da anorexia e da obesidade mórbida. Exercícios, ar puro, sol e noites bem dormidas também podem contribuir para que possamos cuidar um pouco melhor de nós e da nossa família.

Dia Nacional da Saúde

Tudo isso porque em 5 de agosto comemoramos o Dia Nacional da Saúde, instituído pela lei 5.352, de 8 de novembro de 1967, em homenagem ao nascimento de Oswaldo Cruz (5/8/1872).

A atual Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) foi fundada por ele em 1900. À época, chamava-se Instituto Soroterápico Nacional. Três anos depois, Oswaldo Cruz foi nomeado Diretor Geral de Saúde Pública, cargo equivalente ao de Ministro da Saúde nos dias de hoje.

Daquela época aos dias atuais, ainda dependemos, e muito, de políticas públicas que criem condições favoráveis para que os brasileiros tenham acesso garantido a serviços de saúde.

Dependemos, e muito, de mecanismos legais para o controle dos convênios particulares que descredenciam médicos e hospitais a seu bel prazer, substituindo-os por “similares” sempre mais precários e mais distantes dos clientes cada vez mais desamparados.

Notícia publicada no final de julho do ano passado informava que “segundo o Ministério Público Federal, a União deixou de gastar, de 2000 a 2008, ao menos R$ 5,4 bilhões em saúde”. A questão dizia respeito aos governos FHC e Lula, em decorrência de cálculos indevidos e do cancelamento de verbas previstas no orçamento, mas não utilizadas. Assim sendo, vamos cuidando do que podemos, com os melhores agradecimentos a Oswaldo Cruz que, a despeito do pouco tempo de vida (faleceu aos 44 anos), fez muito pela saúde no Brasil.

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* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.

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Lucila Cano é jornalista especializada em projetos editoriais, consultoria
empresarial e produção de textos sobre Responsabilidade Social e Ética.



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