Se eu disser que iniciei meu ativismo ambiental antes da Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento no Rio de Janeiro (1992), estarei a faltar com a verdade. De fato só naquele ano comecei a pensar como poderia defender a Natureza, que eu via em sofrimento, ante o desatino dos seres humanos. Porém, tudo indica que já nasci ecologista, porque desde criança sempre me comportei diversamente dos outros meninos que não titubeavam em fazer travessuras contra animais indefesos e especialmente, em prejuízo dos vegetais.
Estou certo de que minha infância no campo ajudou a formar a consciência ecológica que carrego até hoje. Donde essa reflexão que faço agora seja inoportuna, talvez fantasiosa e se alguém me considerar simplório, não estará de todo sem razão.
A meu ver, a militância ecológica vai além das atitudes em defesa dos objetos naturais e do ambiente onde eles se acham. É algo bem mais profundo. Não basta a gente querer. É como um sacerdócio. A pessoa deve estar desapegada de bens materiais e nunca ambicionar riqueza. Deve conformar-se com aquilo que possa auferir de maneira honesta, sem pisar os outros. Falo com sinceridade!
Mas, não pensem que prefiro a frugalidade do campo, porque eu não suportaria estar às voltas com mosquitos e moscas, nem abriria mão da internet ou de um ventilador para dormir, menos de assistir um bom filme, bem assim de tomar uma cerveja gelada, no fim de semana. Isso não! Hoje, sou mais cosmopolita do que muita gente nascida e criada na cidade e não me recrimino. Considero necessária a existência das cidades, contudo não sei como elas poderiam existir sem os campos e as florestas, conforme muita gente deseja. Também, não aceito essa mania que o ser humano tem de querer simplificar tudo.
Vivo em Alagoas, uma terra maravilhosa, ainda dotada de belos ecossistemas e povoada por pessoas acolhedoras. Uma gente amável e desprendida, entretanto apática e sem amor à Natureza. São pessoas, salvo raras exceções, que não se apoquentam de serem manipuladas por um punhado de espertalhões que fizeram da política partidária o seu meio de vida, desonesto. Esse comportamento deles, tal aves-de-rapina influencia governos e empresários transformando a vida da gente mais pobre num salve-se quem puder inaceitável. Acrescente-se ainda, cúmulo da falta de sorte, histórica má distribuição de terra, agravada pela dominância de uma monocultura arraigada desde tempos imemoriáveis.
Assim é que encontrar seres humanos dispostos a defender o meio-ambiente, por aqui, significa o mesmo que procurar agulha no palheiro. Apesar disso, houve um tempo, por volta de 1980, em que algumas pessoas até criaram ONGs ambientalistas e arrostaram gente poderosa, inclusive os industriais do açúcar.
Quando me envolvi com o ecologismo, aquelas pessoas me abraçaram e muito do que sei ou fiz, aprendi com elas. A partir dessa interação foi criado o movimento ambientalista alagoano que prosperou até o final da década de 1990 e desde então só fez declinar. A explicação para esse fenômeno está na cooptação de algumas lideranças do movimento para cargos subalternos do Governo e no próprio envelhecimento dos seus componentes. Sem a renovação dos seus membros, o ambientalismo alagoano adentrou por uma estrada desconhecida e agora se encontra na curva do caminho, onde nada se avista.
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José Luiz Argolo é alagoano, ex-conselheiro do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente, fundador e presidente da SAMAN – Sociedade Ambientalista Mãe Natureza. É formado em Letras (CESMAC) e tem especialização em Solos e Meio-Ambiente (UFLA – Lavras/MG).
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