26 de janeiro de 2010 16:20 

“Davos não é uma reunião de demônios”, diz Paul Singer

LUANA LOURENÇO
AGÊNCIA BRASILl

Na contramão de vozes mais radicais do Fórum Social Mundial, o economista Paul Singer disse nesta terça-feira (26) que o Fórum Econômico Mundial de Davos não é “uma reunião de demônios”.

“Davos também tem diferenças internas. Tem muita gente boa lá no meio, inclusive da economia solidária”, ponderou. “O George Soros, por exemplo, é de esquerda, é um dos maiores críticos do mundo em que vive”, acrescentou.

Em palestra sobre a nova conjuntura econômica, após o auge da crise financeira internacional, Singer defendeu o controle dos bancos para evitar que o mercado financeiro se descole da economia real. O economista, que é Secretário de Economia Solidária do Ministério do Trabalho, disse que essa possibilidade é viável e possível no sistema capitalista vigente.

“No Brasil acabou de acontecer isso. O Brasil foi salvo pelos bancos públicos. É preciso tornar os grande bancos públicos submetidos ao controle da sociedade e sobretudo fomentar o que chamamos de finanças solidárias, da vizinhança, da comunidade”, argumentou.

O controle dos bancos também deve ser um dos temas discutidos no Fórum Econômico de Davos.

A escritora e doutora em política pela Escola de Altos Estudos de Ciências Sociais de Paris, Susan George, também defendeu maior controle sobre a regulamentação da economia. “Os bancos são nossos, nós pagamos pelos bancos, eles têm que receber ordens políticas. Temos que direcionar o capital para investimentos em energia gratuita e alimentos. O mundo está cheio de dinheiro, dinheiro não é problema, o problema é a política”, argumentou.

Segundo Susan, atualmente o sistema financeiro é colocado na frente da economia real, da sociedade e do meio ambiente, como em um esquema de círculos concêntricos, em que o financeiro é o maior a mais importante.

“Nossa tarefa é inverter a ordem desses círculos. Não podemos vencer a natureza. Se continuarmos como agora teremos aumento da temperatura. Não estamos falando de uma crise ecológica planetária, o planeta vai continuar, pode se sair muito bem sem nós; o que discutimos aqui é a possibilidade de a vida desaparecer”, apontou.

Beneficiados por economia solidária devem chegar a 2,5 milhões em 2010

O secretário nacional de Economia Solidária, Paul Singer, adiantou neste terça-feira (26) novos dados sobre a economia solidária no país, que estão sendo levantados pelo Ministério do Trabalho e devem ser divulgados nos próximos meses. Entre 2007 e 2010, o número de pessoas envolvidas e beneficiadas pelo sistema deve saltar de 1,7 milhão para 2,5 milhões.

A taxa de crescimento anual na economia solidária está em torno de 20% ao ano, segundo Singer, bem maior que o ritmo da economia tradicional.

Em 2007, o sistema de economia baseado na produção, distribuição e consumo solidários movimentou R$ 8 bilhões no país, de acordo com o secretário, que prefere evitar comparações com os valores movimentados pela economia formal.

“O PIB [Produto Interno Bruto] é uma ficção maléfica. Quando acontece um desastre ecológico, por exemplo, o PIB cresce. Não estamos preocupados com o PIB que a economia solidária movimenta, estamos preocupados com as pessoas que estão envolvidas.”

Singer participou hoje (25) de um seminário sobre conjuntura econômica durante o Fórum Social Mundial. (L.L.)



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