DE PIRACICABA

IVANA MARIA FRANÇA DE NEGRI
ivanamfn@yahoo.com.br

3 de março de 2010 23:39 

2010 – o ano da Biodiversidade

A ONU declarou oficialmente 2010 como o Ano Internacional da Biodiversidade para chamar a atenção do mundo e dos governantes para dados gravíssimos.

Bio, relativo à vida, e diversidade, a variedade das espécies que dividem entre si o espaço do planeta. Biodiversidade é a vida em suas mais variadas formas incluindo flora, fauna, fungos e microorganismos.

A extinção das espécies da flora e fauna silvestre vem aumentando assustadoramente devido à biopirataria, ao comércio ilegal, ao desequilíbrio ambiental, aquecimento global e à ação contínua e predadora do homem.

A poluição marinha pelos plásticos é uma das mais preocupantes questões. Foram encontrados fragmentos de plástico ao longo de todos os oceanos, colocando a vida marinha em risco.

Princípios básicos não são respeitados. O que chamamos de biopirataria, tornou-se um processo irreversível. Animais extintos só poderão ser conhecidos pelas gerações futuras através de vídeos e fotografias, e isso é muito triste.

Tubarões têm suas barbatanas serradas por serem consideradas afrodisíacas. O atum vermelho desapareceu da Noruega e do Brasil por causa da pesca ilimitada. Rinocerontes são mortos apenas para a retirada dos chifres pela superstição boba de que o pó do chifre desse animal detém o câncer, nada provado cientificamente.

O boto, símbolo do Rio de Janeiro, sumirá até 2050 pela soma de três fatores: poluição orgânica e industrial, captura acidental em redes de pesca e perda do habitat. Nenhuma criatura resiste a isso ( dados do jornal A Folha de São Paulo)

Pesquisadores estimam que 150 espécies sejam extintas todos os dias no mundo. Com as mudanças climáticas, esse processo acelera-se. De acordo com as previsões dos cientistas, até 2030 poderemos estar com 75% das espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção, um dado alarmante.

Temos um compromisso com o futuro. Depois de séculos de ignorância explorando, consumindo, destruindo, degradando e utilizando indiscriminadamente os recursos naturais, só agora estamos acordando para o fato de que fazemos parte da natureza e, promovendo a sua destruição, o ser humano decreta a sua própria extinção.

Tornou-se uma preocupação mundial conservar, proteger e conservar as riquezas naturais do planeta porque a espécie humana depende delas para sobreviver. Podemos optar por sermos parte do problema ou parte da solução.

Empresas estão mudando o seu marketing. Tudo tem que ser sustentável e ecológico. Quem não tiver o “selo verde” e não se encaixar no “ecologicamente correto” não terá mais seus produtos aceitos em países de primeiro mundo. E as novas gerações estão mais conscientes, preocupadas com o meio ambiente e cobrando ações para reverter o quadro e os efeitos de séculos de consumismo desenfreado e ganância.

Não se pode mexer em coisas sagradas sem sofrer as consequências. Pesca predatória, derrubada de florestas, transposição de rios e poluição em todos os níveis deixaram a natureza doente. Ela é forte, resiste, vai suportando, mas chega um ponto em que adoece. Está febril e vai vomitar de volta toda a poluição que recebeu por séculos.

Os índios, muito sabiamente, sempre respeitaram a natureza. Aí reside o grande segredo: amar e respeitar. Não somos o centro do universo, surgimos muito depois.

A hora é essa. Mãos à obra. Não se pode desperdiçar mais um segundo sequer.

Ivana Maria França de Negri é escritora, colunista fixa de vários jornais e integrante, há 10 anos, da SPPA – Sociedade Piracicabana de Proteção aos Animais.



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